sábado, 11 de fevereiro de 2012
Contando números e histórias: Alex Bellos e Ricardo Oliveira
Carlaile do Vale20:45
A conversa começou com um relato emocionante de Ricardo Oliveira, que somente aos 17 anos foi matriculado na escola e aos 19 frequentou sua primeira aula. Tudo que sabia até então havia sido ensinado por sua mãe, que lhe alfabetizou e ensinou as quatro operações matemáticas, em uma região inóspita no interior do Ceará.
O menino que ganhou medalhas de prata e de ouro, saiu vencedor em olimpiada de matemática entre 18 milhões de alunos encantou o público com sua paixão pela matemática, mas, principalmente, por sua história de superação: “Todos nós temos dificuldades, mas a única coisa que nos impede de subir na vida somos nós mesmos”, ensinou o menino que para ir até a escola é levado pelo pai em um carrinho de mão [Ricardo é cadeirante e não há pavimentação no caminho até a sala de aula]. O estudante foi aplaudido de pé por uma plateia comovida com tamanha perseverança.
Na sequência, Alex Bellos ensinou que a Matemática pode ir muito além de números e operações. O inglês, que já morou no Rio de Janeiro e fala português perfeitamente, além de matemático é jornalista. Talvez daí venha sua vontade de investigar a fundo os assuntos que lhe interessam. “Se quero entender melhor alguma coisa, entro na internet e compro uma passagem”, explica Bellos, que foi para a India entender porque o zero é tão importante por lá.
A resposta? Para os indianos, a forma do zero significa ciclos do céu e dá ideia de infinito. Na India, o “nada” é uma ideia mística. Alex conheceu um sábio indiano que nada vestia além de alguns panos, que nada comia além do alimento simples que dividia com todos. Lá, o nada é compartilhado. Foi assim que o matemático aprendeu que ter nada é ter alguma coisa e um zero tem muita utilidade!
Com tantas viagens, Bellos percebeu que o jeito que vemos a matemática em cada país é diferente. Um belo exemplo disso é o Japão, onde 1 milhão de alunos estudam o ábaco após a escola, por vontade própria. “Crianças aprendendo matemática com ábaco acaba gostando porque é tátil”, aposta.
“Quem aprende a contar com o ábaco, depois de alguns anos, nem precisa mais dele porque você visualiza mentalmente”. No Japão, competições assim são uma febre. “O ábaco é o modo de calcular mais velho que temos, mas ainda assim é o mais versátil”, afirma o matemático..
Alex acredita que uma boa saída para a educação, no que diz respeito à matemática, é buscar novos enfoques. “A matemática é um patrimônio cultural que envolve simbologia, religião, ciências…”, explica Bellos. Ricardo Oliveira complementou: “Falta paixão de quem ensina matemática, a matéria ensinada por quem a ama é muito mais fácil de ser entendida”.
Fonte: Campus Party
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