Lotada, a palestra de Harbisson comoveu muita gente, tanto pela simplicidade, quanto pela profundidade das ideias do cyborg. “Eu me visto como um sacerdote, eu trabalho com algo que não posso ver e talvez sequer existe”, dizia uma de suas belas citações projetadas no telão.
Caso você ainda não conheça sua história, aqui vai um breve resumo: ele nasceu com uma deficiência que lhe impedia de ver as cores. Conhecida como acromatopsia, a tal deficiência fez de Neil Harbisson o primeiro cyborg reconhecido no mundo, com um mecanismo eletrônico que possibilita escutar as cores.
Cada cor tem uma vibração diferente e por isso emite um som próprio. Quando a saturação é alta, o som é alto também é. “Mozart, no geral, é sempre amarelo”.
Ao se tornar cyborg, sua vida mudou completamente. “Quando eu não escutava as cores, eu só me vestia de preto e branco. Agora eu me visto conforme me soa melhor. A comida também mudou, agora eu posso combinar os alimentos conforme as cores”, explicou - satisfeito com sua condição diferente. Harbisson tem um humor tímido, mas que arrancou gargalhadas coletivas com frases, como:
“Se as saladas soassem como Justin Bieber, as crianças comeriam mais vegetais.” (Neil Harbisson)
Com uma pegada quase poética, ele comove pela sensibilidade de quem já sentiu-se julgado por ser diferente:
“A pele humana não é branca, nem preta. A pele branca é laranja claro e a pele preta é laranja escuro. Todos somos laranjas.” (Neil Harbisson)
Perguntado como ele avalia a beleza de alguém (se pela imagem ou pelo som), Harbisson foi categórico: “pessoas feias podem soar muito bem!”.
Pelo visto, a vida em preto e branco do cyborg parece mais colorida do que a vida de muita gente.
Fonte: Campus party


